VOLTAR     

 

TAREFA MEDIÚNICA

 

Nem todo caso de mediunidade indica que há um compromisso de tarefa. Quando ele existe, foi assumido antes da reencarnação, ainda no mundo espiritual.

Ao contrário do que muitos pensam, a mediunidade não é imposta a alguém, assim como uma carga que se coloca às costas de um muar.

Alguns benfeitores espirituais tem dito que em muitos casos ela pode representar uma troca nas formas de resgate cármico. Digamos que um espírito, conhecendo ou lembrando-se de uma ou mais de suas vidas passadas, nas quais cometeu faltas graves perante a Lei Maior, decide-se a resgatá-las. Entende então que para acabar com aquele remorso, retirar aqueles "pesos" de sua consciência profunda, precisa renascer na Terra e purgar suas culpas numa existência de grandes sofrimentos ou limitações. Nessas situações ele pode conseguir uma troca. Em vez de retornar à Terra com um programa de vida repleto de dores e aflições, trará um compromisso de trabalho mediúnico. É a permuta de sofrimentos por uma tarefa de amor. E lembramos, a propósito, que o apóstolo afirmou: "O amor cobre uma multidão de pecados".

Assim, em vez da doença, da penúria, das deficiências físicas ou outros sofrimentos, esse espírito reencarna comprometido a fazer o bem, ajudar o próximo necessitado através da sua mediunidade.

É verdade que muitos médiuns sofrem... e muito. Certamente sofreriam muito mais, não fosse a sua tarefa. Há que lembrar, contudo, que o sofrimento é caminho de evolução; é também instrumento de contenção e equilíbrio. A dor, queiramos ou não, nos preserva de muitas quedas espirituais, e muitas almas valorosas não a dispensam de suas programações reencarnatórias.

Mas não se pode generalizar. Nem todos os casos refletem essa troca. Em muitos a tarefa é assumida apenas por amor, pela vontade de ajudar, ou ainda, como um instrumento para seu próprio crescimento.

 

Há também aqueles em que faculdades mediúnicas surgem como resultado natural da evolução, ou ainda, forçadas por algum processo obsessivo, mas sem compromisso de tarefa.

Sempre que alguém volta à terra comprometido com trabalho mediúnico, antes de reencarnar os mentores elaboram um projeto, um planejamento para suas atividades. Preparam seu perispírito, ou corpo espiritual, assim como também as condições do seu futuro corpo físico, de forma a poder servir como intermediário entre os encarnados e os desencarnados, em sua nova existência. Esse médium então renasce, recebendo os cuidados necessários ao seu crescimento e encaminhamento para a tarefa, no momento preestabelecido.

Muitas vezes lhe ocorrem indícios de mediunidade desde a infância ou na adolescência. Por vezes estão presentes durante toda a vida. Em outros casos eles só começam a se manifestar à época programada para o início das atividades medianeiras. É nesse momento que as forças espirituais se fazem mais presentes, num chamamento ao trabalho, e esse chamado pode ocorrer nas formas as mais variadas e estranhas, como: doenças que os médicos não conseguem diagnosticar, acidentes anormais, sensações perturbadoras de presenças invisíveis, arrepios e formigamentos; sonhos esquisitos, pesadelos, visão ou audição de espíritos, e outros assemelhados. Nessas ocasiões geralmente aparece alguém, aconselhando-o a procurar o Espiritismo.

Se esse médium, obedecendo ao compromisso assumido, procura uma instituição espírita séria, de confiança, e onde sinta-se bem, inicia de forma equilibrada o desenvolvimento das suas faculdades. Nessas circunstâncias passa também a receber assistência dos bons espíritos, que irão orientá-lo e ajudá-lo de acordo com permissão superior. Mas, para que possa receber essa ajuda é necessário que se torne merecedor, sendo dedicado, responsável e buscando modificar as próprias atitudes, a partir dos pensamentos, tornado-as mais compatíveis com a nobreza de uma tarefa dessa natureza.

Também é fundamental que estude o assunto, começando pelas obras da codificação do Espiritismo, de Allan Kardec, como: O Livro dos Espíritos, que contém os princípios doutrinários, O Livro dos Médiuns, o mais avançado e profundo estudo existente sobre a mediunidade, O Evangelho Segundo o Espiritismo, no qual vai encontrar o melhor dos roteiros orientadores para a sua conduta, além de outras obras complementares, antigas e atuais. A bibliografia espírita é muito extensa e rica, e a maioria dos Centros mantém cursos sobre Espiritismo e as práticas espiritas.

Muitos estudiosos e alguns espíritos afirmam que há situações em que longos processos obsessivos podem forjar faculdades mediúnicas, abrindo canais de comunicação com o mundo invisível. Nesses casos não há compromisso de tarefa, mas é preciso que esses médiuns sejam tratados com discernimento para evitar que voltem a ser canais para atuação de obsessores ou mesmo de meros marginais do mundo espiritual.

A mediunidade pode também ser uma faca de dois gumes: votada ao bem, com honestidade e amor, e sob a direção de pessoas experientes, verdadeiramente cristãs, transforma-se em ponte de luz entre Céu e a Terra. Mas quando se propõe ao atendimento a interesses rasteiros, ao ganho de bens, de posições, de influência ou “status”, ou ainda, a fazer o mal, ela se transforma em canal para espíritos das sombras com resultados imprevisíveis, sempre nefastos. E o pior ocorre no retorno ao mundo espiritual, pelo fenômeno da morte. Ali, o médium faltoso terá de amargar suas dores, seus remorsos e o resultado de suas ações irresponsáveis ou antifraternas, sem falar em que terá de recomeçar tudo outra vez, e em condições ainda menos favoráveis.

Na maioria dos casos, o candidato a médium começa a receber o chamamento e não atende; muitos por medo, outros por acomodação e outros ainda, por causa de suas religiões, pois a maioria delas, sem conhecer bem o assunto, condena a mediunidade e a comunicação dos espíritos.

Mas as suas faculdades começam a aflorar, mesmo assim, no tempo programado. Só que, pela falta de orientação adequada e pelo não cumprimento da tarefa, elas podem transformar-se em veículo para as mais diversas perturbações, podendo desembocar em doenças ou em desequilíbrios de toda ordem, até mesmo mentais, de conseqüências imprevisíveis.

É preciso, entretanto, ver que não foi o Espiritismo o causador desses problemas, mas o seu próprio descaso, porque a mediunidade praticada com amor, dedicação e desprendimento é fator de equilíbrio para seu portador. Pode-se mesmo dizer que é a excelsa fonte das mais sublimes alegrias sentidas na Terra, procedentes do Céu.

Informam alguns espíritos que o médium que haja cumprido sua tarefa conforme os compromissos assumidos, ao voltar ao mundo espiritual, após o desencarne (morte) é recebido com todas as honras, como alguém que retorna vitorioso.

Como se vê, é muito importante essa questão da mediunidade.

   

"Extraído do livro “Mergulho no Invisível - Saara Nousiainen”.