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OS PERIGOS DE UMA DOUTRINAÇÃO ERRADA

 

Eu havia passado o dia preocupada com acidentes de veículos. Vez por outra me passava uma rápida impressão de violenta colisão. À noite, assim que me concentrei, no início dos trabalhos, vi-me envolvida num ambiente onde ocorrera um grave acidente, numa estrada muito movimentada. Havia um rapaz bem jovem, quase um adolescente, deitado na beira da estrada, com o corpo todo arrebentado.

Fui mergulhando naquele jovem, ou ele em mim, e podia sentir seu desespero, pelo fato de perceber-se em estado grave e ninguém lhe dar atenção. Já incorporado, pedia ajuda, contando o que ocorrera e dizendo que precisava ser levado imediatamente a um hospital.

O doutrinador daquela sessão era um senhor bastante rude e não conhecia as sutilezas de uma diplomacia, tão necessária quando se lida com os dramas humanos, e foi logo dizendo ao pobre rapaz: “Você já morreu, meu irmão. O que você precisa agora é cuidar do seu espírito”.

Aquilo foi um choque terrível para o pobre jovem. De início, ficou apatetado, sem conseguir assimilar a realidade. Em seguida começou a gritar dizendo que era mentira, que era tudo mentira, que ele estava apenas ferido, mas não morto. Mas as palavras do doutrinador ressoavam dentro dele e já lhe parecia que não mais se encontrava no mundo dos vivos... Começava a entender que estava morto.

Seu desespero foi tão grande que não consegui conter-lhe os gritos e, de repente, desincorporou-se violentamente, fugindo, desesperado.

O doutrinador, assustado com aquela reação, procurou desculpar-se dizendo que um espírito desencarnado precisa acima de tudo conscientizar-se da sua situação, a fim de poder ser ajudado.

Se a alguém que desencarna já idoso é preciso ter muito tato e cuidado na maneira de dizer-lhe que já morreu, quanto mais a uma pessoa jovem, cuja vida física lhe é arrebatada assim, repentinamente, de forma absolutamente inesperada. É melhor que ela própria vá entendendo o que lhe aconteceu e essa tarefa é bem mais prudente deixar nas mãos dos espíritos, que saberão quando e como agir.

Entendo que nesses casos o melhor é acalmar o sofredor, informando-lhe que será levado a um hospital onde receberá os devidos cuidados. Em seguida, falar-lhe sobre a importância de aproximar-se de Deus, em oração, buscando ajuda e convidá-lo a uma prece, que poderá ser feita pelo próprio doutrinador, acompanhada mentalmente pelo grupo. 

Levá-lo a orar é muito importante nesses momentos.

O doutrinador deve ter muito de psicólogo e mais ainda de pai amoroso, porque lida com psiquismos afetados por situações extremas. Em qualquer condição é sempre o amor, apoiado na sabedoria, no bom senso e também no conhecimento, que melhor consegue alcançar de forma benéfica o universo interno de alguém.

 

"Trecho extraído do livro “Mergulho no Invisível - Saara Nousiainen”.