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MÉDIUNS AFOITOS

 

Num dos grupos mediúnicos de que participei, havia uma excelente médium que acabou completamente desiludida com a própria mediunidade, afastando-se da tarefa e pondo certamente a perder uma oportunidade de resgate e crescimento.

Ela era vidente, audiente e de incorporação. Tinha grande sensibilidade mediúnica, mas era muito afoita. Assim que percebia algo ia logo dizendo, sem maiores observações ou cuidados. Com isso, algum espírito menos responsável passou a assessorá-la, informando a eventuais consulentes sobre suas vidas passadas e também sobre assuntos do cotidiano. E ela se empolgava muito quando podia conferir o acerto das informações e permanecia muito ligada a essas questões. Essas informações e orientações aconteciam fora do ambiente do Centro, cuja direção não aceitaria esse tipo de atividades.

Essa médium encontrava-se no auge do empolgamento quando, certamente por orientação de algum espírito brincalhão, disse a uma amiga que ela estava grávida. Essa amiga vivia frustrada porque não conseguia engravidar. Foi aquela alegria e a “vidente” muito felicitada por causa da sua “poderosa mediunidade”. Mas os dias passaram e a gravidez não se confirmou. A dirigente dos trabalhos procurou conversar com ela sobre a responsabilidade ligada à mediunidade, mas ela encontrou logo uma saída, dizendo que a amiga realmente poderia ter estado grávida e perdido o feto.

Pouco tempo depois houve outro fato que demonstrou, sem margem a dúvidas, que uma informação passada através das suas faculdades era inverídica. Com isso, entrou em depressão, profundamente desiludida, e acabou afastando-se até mesmo do Espiritismo, ao qual acusava das suas frustrações. Vários companheiros tentaram convidá-la a novas reflexões mais equilibradas sobre as questões mediúnicas, mas em vão. Ela dizia-se enganada pelos espíritos, que, em seu entender, deveriam tê-la avisado de que estava sendo assessorada por um mistificador.

Ocorre que essa tarefa, a de vigiar-se, é da responsabilidade do próprio médium. Já disse o grande Mestre: “Orai e vigiai”, e “Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração”.

 

 

"Trecho extraído do livro “Mergulho no Invisível - Saara Nousiainen”.