VOLTAR     

 

MEDIUNIDADE 

 

A mediunidade é um canal entre nós e o mundo espiritual. Podemos iluminá-lo e por essa via receber infinitos benefícios ao nosso espírito, ou mantê-lo na escuridão, somando sombra com sombra, cujo resultado é sofrimento.

 

O fato de alguém ser médium não significa que seja uma pessoa diferente ou favorecida por Deus. Mas quem começa a sentir sintomas que indicam mediunidade, deve também passar a pensar com muita seriedade sobre o assunto, porque não é em vão que recebemos faculdades dessa natureza.

É por meio delas que podemos entrar em contato com o mundo espiritual, receber notícias dos que se foram, esclarecimentos sobre a vida nessa outra dimensão, sobre as leis naturais e sobre todos aqueles "porquês" que tanto angustiam a alma humana; elas existem também como recurso para a prática da caridade, o atendimento a espíritos sofredores e obsessores, o consolo aos aflitos de toda ordem e como instrumento de alívio e cura de enfermidades do corpo e da alma; e existem sobretudo para a comprovação da nossa imortalidade.

De um modo geral, como ensina Kardec, todas as pessoas são médiuns pelo fato de poderem ser influenciadas pelos espíritos. Essa colocação, no entanto, não invalida o fato de que os que recebem apenas intuitivamente orientações espirituais são apenas receptores. Já, numa expressão mais plena, o medianeiro funciona como um canal entre o mundo espiritual e o material; é intermediário e não apenas receptor. Quando se fala em médium, certamente se quer dizer que aquela pessoa é capaz de manifestar um ou mais fenômenos, tais como, “receber” espíritos, ver ou ouvi-los, psicografar, desdobrar-se e vivenciar experiências no mundo espiritual, fornecer ectoplasma para materializações etc.

 

Há variados graus ou níveis de mediunidade e de tipos de compromisso.

Chamo médium de fato àquele que age como alguém que veio para servir, não para ser servido ou exibir suas faculdades e, muito menos, para delas tirar qualquer proveito material. É daqueles que sentem o compromisso, ou tarefa, como algo que faz parte de suas vidas, e não, como um fardo que devem carregar por maior ou menor tempo. É alguém que permanece mais tempo a serviço da causa do bem do que de si mesmo. Não, que deva abandonar outras atividades, mesmo porque o ganha-pão é a primeira responsabilidade do ser humano. O mesmo quanto às familiares. Alguns deles deixam a família ao abandono com a desculpa de que estão cumprindo seus deveres mediúnicos. Já, outros, cobram por suas atividades, afirmando que o fazem para sobreviver e poder servir em tempo integral.

Assim como Paulo de Tarso, que nos deixou magnífico exemplo de responsabilidade, também o médium deve batalhar pelo pão de cada dia, cuidar da família, do próprio crescimento como profissional, do lazer como fator de equilíbrio e também do prazer, ingrediente indispensável por ser energia que vivifica as fontes da própria vida. É claro que me refiro aos prazeres que não prejudicam o corpo, o perispírito (corpo espiritual) nem a consciência.

Mas enquanto age como criatura do mundo, o médium pode ao mesmo tempo manter-se em ligação com o Alto. Deve fazê-lo, aliás, para sua própria segurança, para não cair vibratoriamente, abrindo brechas em suas defesas, e também para que possa receber, via intuição, orientações dos benfeitores espirituais sempre que necessário, evitando entrar em sintonia com faixas inferiores. Esse procedimento é recomendado a qualquer pessoa, mas principalmente ao médium, em razão de sua maior abertura para o mundo invisível.

 

A mediunidade é uma faculdade que não conhecemos profundamente. Pode-se perceber também que as suas manifestações vão se modificando, tomando novos formatos, de acordo com as necessidades e peculiaridades da época. Ontem, mesas girantes, materializações, transporte, etc.. Hoje, a predominância é de incorporação, psicofonia, psicografia, vidência, desdobramento...

 

Por que falamos em incorporação e psicofonia? Não são ambas a mesma coisa?

Pelo que informam autores respeitados e também apoiada em observações próprias poderia dizer que:

a) nas manifestações mediúnicas como a psicofonia, a incorporação, a vidência, a audição, a psicografia etc. passam pela mente do médium;

b) nas comunicações puramente intelectuais estas passam da mente do espírito para a do medianeiro, sem influenciar-lhe o corpo físico. Isto pode ser facilmente percebido quando observamos que determinada idéia nos “caiu” na mente, ou que o nosso pensamento está sendo conduzido por outra mente, que não a nossa;

c) nas verbais, ou psicofonia, elas ocorrem com o domínio dos órgãos da fala e a utilização mais preponderante do “chacra laríngeo” (à altura da garganta), ou do plexo correspondente;

d) nas semi-incorporações há alguma utilização também dos “chacras cardíaco e solar” (cardíaco, à altura do coração e solar, logo acima do umbigo), ou dos plexos correspondentes;

e) nas incorporações completas, além dos demais “centros”, ou plexos correspondentes, o “solar” seria o mais completamente utilizado pelo comunicante, que por esse meio consegue dominar ou movimentar o corpo físico do médium.

f) mesmo os de incorporação completa variam nos níveis de passividade, permitindo ao espírito maior ou menor condição de manifestação;

g) são raros os médiuns totalmente inconscientes, que de nada se lembram posteriormente. Podem também ocorrer alternâncias na inconsciência de alguns medianeiros, demonstrando como nesse território nada pode ser medido ou padronizado.

   

"Extraído do livro “Mergulho no Invisível - Saara Nousiainen”.