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DESOBSESSÃO EM OUTROS FORMATOS

 

Na desobsessão habitual, nos meios espíritas, só um espírito se comunica de cada vez, reduzindo drasticamente o número de atendimentos.

Em 1998, numa viagem a Belém-PA, fui conhecer o Centro Espírita do Nazareno (do escritor espírita Nazareno Tourinho). Ali, as atividades de desobsessão eram intensas e observei que trabalhavam simultaneamente uns 15 médiuns, atendidos por um exército de doutrinadores e de ajudantes, que cuidavam com carinho da sua segurança e bem-estar, quando se incorporavam. Vez por outra, algum deles, lançado ao chão por um espírito mais agressivo, era sempre amparado pelos auxiliares que lhe colocavam um travesseiro sob a cabeça para não se machucar, e a doutrinação acontecia ali mesmo, sem nenhum problema.

As atividades naquela casa espírita não se desenrolavam em torno de uma mesa, mas em várias salas, cujo mobiliário constava de bancos acolchoados, que se transformavam em macas, quando necessário. E era nesses bancos encostados à parede que se incorporava a maioria dos médiuns.

Soube que os trabalhos de desobsessão vinham sendo realizados ali há mais de cinco anos, sempre nesse formato. Observando, pinçando uma informação aqui, outra ali, conversando com uns e outros dos trabalhadores e dos assistidos, fui sentindo cada vez mais respeito por aquele modelo. Não foi possível verificar quantos espíritos foram atendidos naquela noite, mas foram muitos. Certamente esse método é bem mais produtivo.

Fiquei então a me perguntar por qual motivo toda sessão mediúnica teria de ser realizada em torno de uma mesa. Não encontrei resposta.

 

Anos mais tarde, conheci outro grupo de trabalhos mediúnicos que não segue o modelo tradicional.

Participei de uma das suas sessões, que me encantou pela profundidade e complexidade das ações. A sala estava sem móveis; o chão coberto com tatame; os participantes sentados no chão, ao longo das paredes; o ambiente era absolutamente fraterno.

Após o início dos trabalhos, um médium clarividente informou que havia um “implante”, uma espécie de chip, na coluna vertebral de uma pessoa que estava sendo tratada de uma obsessão complexa, de longa duração. Ela foi colocada deitada no chão, de bruços, e dois médiuns, num processo bastante complexo, fizeram a retirada do “implante”. Em seguida, eles se deitaram também, cada um de um lado, segurando cada qual uma de suas mãos. A doutrinadora, utilizando alguns comandos próprios da apometria*, fez passarem para os dois médiuns e deles para o chão energias pesadas que nenhum passe tinha conseguido eliminar. Os médiuns se contorciam e gemiam, em grande sofrimento com aquela descarga. Depois houve manifestação de um obsessor que era o principal promotor daquela perseguição.

A pessoa atendida nos contou, tempos depois, que nunca se sentira tão bem quanto após aquele trabalho. Dizia estar em estado de graça, após tão longos anos de intensos sofrimentos. Havia procurado a medicina e passara por tratamentos em outros centros espíritas, sem qualquer resultado.

 Como se sabe, existe a obsessão simples e a complexa. Na complexa, a vítima é assediada por especialistas das sombras que trabalham com “implantes de aparelhos parasitas”; usam campos de força dissociativos ou magnéticos de ação contínua; fixam no obsediado espíritos em sofrimento atroz, visando parasitá-lo ou vampirizá-lo, etc. Pode também haver trabalhos de magia negra.

Em nossa ingenuidade, geralmente preferimos acreditar que nada disso existe, mas, ao lermos algumas obras psicografadas por Divaldo Franco e outros médiuns, percebemos que as cortinas se entreabrem, mostrando mais um pouco do que ocorre nas regiões inferiores do mundo espiritual.

Também nos trabalhos mediúnicos de maior profundidade, tais situações se fazem presentes, mostrando a extraordinária capacidade dos cientistas e técnicos das sombras, que se utilizam de avançadíssimos recursos para suas atividades malfeitoras.

 

* A apometria tem sido motivo de discussão e polêmica nos meios espíritas. Alguns entendem que ela pode ser aplicada em reuniões de desobsessão, outros refutam vigorosamente tal idéia, afirmando que tais conhecimentos e técnicas não fazem parte dos conteúdos espíritas.

Como não é possível tomar posição correta apenas por ouvir dizer, convém lembrar aquela recomendação apostólica para se procurar conhecer de tudo e reter o que for bom.

Os interessados em melhor conhecer a apometria encontram valioso material em sites como:

         http://www.sbapometria.com.br/

         http://www.geocities.com/Vienna/Strasse/5774/

Por achar interessantes, pinçamos alguns trechos extraídos desses sites:

“A apometria foi desenvolvida por um médico, médium e espírita chamado Dr. José Lacerda. Juntamente com sua esposa Dna. Yolanda trabalhou durante anos em atendimentos espíritas na Casa do Jardim, em Porto Alegre-RS. Durante todo esse tempo dedicado à caridade, ele foi desenvolvendo, juntamente com a espiritualidade, técnicas que conseguissem maior resultado, maior penetração e eficácia nos tratamentos espirituais.”

“(...) Apometria é uma técnica que permite com razoável facilidade, a um grupo de médiuns treinados, a indução para estados de desdobramento dos corpos mediadores; em especial o etérico, o astral e o mental. É também importante ferramenta de criação de campos de força.

Não basta somente o conhecimento da técnica em si, mas é fundamental a egrégora que se forma durante os trabalhos, pois, é proveniente de cada elo da corrente, a sustentação mental para que os benfeitores espirituais possam agir em padrões vibracionais, que normalmente exigiriam grande dispêndio de energia e esforço das falanges socorristas, que dão apoio a esses trabalhos de cura desobsessivos”.

“(...) REGRA DE OURO DA APOMETRIA: aqui, no entanto, devemos clarinar um vigoroso alerta para os entusiasmos que possamos estar provocando. Como fundamento de todo esse trabalho – como, de resto, de todo trabalho espiritual – deve estar o Amor. Ele é o alicerce. Sempre. As técnicas que apontamos são eficientes, não temos dúvidas. O controle dessas energias sutis é fascinante, reconhecemos, pois desse fascínio também sofremos nós. Mas se tudo não estiver impregnado de caridade, de nada valerá. Mais: ao lado da caridade, e como conseqüência natural dela, deverá se fazer presente a humildade, a disposição de servir no anonimato.”

 “(...) Advertimos: através da obediência dos preceitos evangélicos, somente através dela, experimentadores e operadores podem desfrutar de condições seguras para devassar esses arcanos secretos da Natureza, com a adequada utilização dessas "forças desconhecidas".

Das finalidades da apometria, apresentadas nos sites, destacamos as seguintes:

“• Estudar, praticar e difundir os princípios da Doutrina Espírita, no sentido universalista, nos aspectos de: Ciência, Filosofia e Religião;

• Estudar os assuntos científicos paranormais e os relacionados com o campo da psicobiofísica;

• Enfatizar entre os homens, a necessidade da renovação interior à luz do Evangelho, como único caminho para a conquista da Paz e da Felicidade;

• Proporcionar atendimento psíquico espiritual gratuito, aos necessitados, com ênfase na aplicação das técnicas apométricas;”

 

Quanto às afirmativas de que a apometria não faz parte dos conteúdos espíritas, convém lembrar que esses conteúdos (a codificação) foram escritos há mais de século e meio, e que ali se recomenda que o espiritismo caminhe sempre com a ciência, ou seja, o conhecimento.

Pelo pouco que conheço sobre apometria, parece claro que ela veio para cuidar principalmente dos casos de obsessões complexas, dessas que são impermeáveis à doutrinação comum, por se tratar de espíritos “profissionais do mal”.

Já presenciei inúmeras vezes alguém chegar num centro espírita a procura de ajuda, dizendo-se vítima de trabalhos de terreiro e receber a ingênua resposta: “Ora, isso não existe. Vem aqui tomar passe, assistir a palestras, faz o evangelho no lar e vai ficar bom”.

 

"Trecho extraído do livro “Mergulho no Invisível - Saara Nousiainen”.