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CULTURA DAS MÁSCARAS

Saara Nousiainen

 

Nasci na Finlândia e vim para o Brasil com meio ano de idade, mas, tendo assimilado, ao menos parcialmente, a cultura daquele povo, sempre tenho procurado usar de franqueza, mesmo me arriscando a gerar melindres e como conseqüência, tornar-me “persona non grata”, porque quando alguém se melindra conosco passa a nos ver com “maus olhos”, e o “mau olhar” se dissemina muito mais facilmente do que o “bom olhar”. Isto é natural, tendo em vista que a nossa natureza ainda viceja numa condição bastante inferior, e como nos encontramos mergulhados nos ambientes de baixa freqüência vibratória que vigem na Terra, somos continuamente influenciados por eles. Assim, basta que alguém, ao dizer o nome de determinada pessoa, faça uma expressão de desprezo ou desgosto para que a imagem dessa pessoa comece a ficar denegrida e ela passe a ser “mal vista” em sua comunidade, sem que ninguém saiba dizer exatamente por quê.

Dessa forma, para manter um status de amizade, admiração, respeito e mesmo de superioridade, nem sempre legítima, as pessoas usam máscaras ao invés de usar a franqueza. Isto é ruim para quem procura se preservar, porque mostra-se de forma irreal. É ruim para todos os membros do grupamento no qual se insere, por desenvolver a cultura das máscaras, da mentira e do melindre. Essa é uma cultura que leva a outra situação muito perversa, a de se falar mal dos outros “pelas costas”.

Na Finlândia e em muitos outros países as pessoas são francas, dizem o que pensam e ninguém fica melindrado. As coisas fluem abertamente, sem máscaras.

Esse seria um modelo ideal para os grupos mediúnicos e para quaisquer agrupamentos espíritas porque amenizando a franqueza, haveria aquelas posturas fraternas, aprendidas com o espiritismo.

Um grupo que lida com a mediunidade, se quiser ser um instrumento verdadeiramente útil às atividades dos benfeitores espirituais, capacitando-se a atividades incomuns, necessita desenvolver um trabalho intensivo, continuo e profundo de crescimento, incluindo mudanças nessa cultura das máscaras.

 

Sugestões para o grupo:

 

1º passo – Fazer um pacto de perdão mútuo, pleno e incondicional.

Por que um estado de perdão pleno e incondicional é tão importante dentro do grupo?

Quando estamos dispostos a perdoar sempre, sabendo que também somos perdoados, ficamos mais leves e sentimos que podemos abrir nossos corações e conviver de forma amistosa, sem reservas. Esse tipo de convívio vai eliminando os melindres, que azedam os relacionamentos e fermentam sentimentos de desamor, de repúdio, de separatividade.

A franqueza, o amor, o perdão mútuo constante e incondicional, assim como um trabalho permanente para a manutenção desses valores, são as principais estruturas para que um grupo possa candidatar-se a atender plenamente às necessidades da espiritualidade superior em atividades comuns e incomuns.

 

2º passo – Fazer uma rápida avaliação, ao final de cada sessão, sobre quaisquer manifestações que possam ter deixado alguma interrogação no ar. Isto deve ser feito com muita fraternidade e clareza, e com humildade por parte do médium ou doutrinador, de cuja atuação se esteja tratando. É importante que essa pessoa não se sinta como se estivesse sendo julgada, mas sim, como uma pequena parte da engrenagem que está sendo observada, visando à constante melhoria no desempenho do grupo.

É importante que todos entendam que ninguém é perfeito, que a mediunidade é uma faculdade muito complexa e que todos podem errar e ser ou estar enganados em algum momento.